Como escolher luvas de motociclismo

Uma segunda pele

Todo o equipamento de proteção para motociclismo é de importância extrema quando consideramos os danos físicos que uma queda pode provocar. No entanto, há uma parte do nosso corpo que exige preocupações especiais, não só porque também tem que ser protegida, mas porque desempenha um papel crucial no controlo do veículo durante a condução.

As mãos são as extensões naturais do nosso corpo e é através delas, mais do que os pés, que transmitimos as instruções aos comandos da moto: acelerador, travão dianteiro e embraiagem, no caso de uma moto convencional, ou acelerador e os dois travões se conduzirmos uma scooter.

Para além deste papel decisivo na definição da dinâmica do veículo, as mãos também são muitas vezes o nosso primeiro ‘escudo’ em caso de queda, a primeira parte do corpo a tomar contato com o solo, num ato reflexo que nos leva a estender os braços e a tentar proteger outros membros, amortecendo o impacto.

Não será tarefa fácil desenvolver e produzir as luvas perfeitas, até porque, como vamos ver de seguida, há muitos fatores a considerar, desde o clima ao estilo de pilotagem e utilização a que serão destinadas, mas os fabricantes têm trabalhado afincadamente para oferecer modelos cada vez mais completos e versáteis, onde o conforto e a proteção andam de mãos dadas.

A ESCOLHA DO MATERIAL

As luvas de motociclismo dividem-se em três grandes grupos no que diz respeito aos materiais utilizados para a sua construção. A pele é o material mais antigo e aquele que ainda hoje se utiliza em exclusivo para a produção das luvas mais exigentes em termos de proteção, as que são dedicadas às motos desportivas e à utilização em circuitos de velocidade. Nenhum outro material garante o nível de resistência à abrasão da pele mantendo uma espessura reduzida e um excelente tato – há materiais sintéticos muito resistentes, mas são mais duros e sem capacidade de transmitirem sensibilidade. Outra das vantagens da pele natural é a sua capacidade para se ‘moldar’ ao formato da mão, ou seja, depois de algumas horas de utilização a pele ‘parte’ e fica com a forma das mãos do seu utilizador, memorizando-a, o que é uma ajuda importante quando temos que partir para a pista e fazer a volta mais rápida.

Com a introdução de proteções e reforços nas zonas mais sujeitas a impactos e abrasão, estas luvas desportivas garantem um nível de proteção notável, sendo também compridas, por forma proteger o pulso e a evitar que se descalcem acidentalmente em caso de queda, deixando exposta a mão ou parte da mesma.

Também há luvas de estrada, para uso diário ou pequenas viagens, produzidas em pele e se não é difícil encontrar modelos destinados ao tempo quente, perfurados e por isso capazes de alguma ventilação e respirabilidade, já no que diz respeito ao tempo frio e chuvoso, é mais difícil integrar as características térmicas e impermeabilidade na pele natural, de modo que quando falamos de luvas destinadas ao inverno, entramos no reino dos materiais sintéticos, embora existam modelos de luvas em pele impermeáveis e respiráveis, como é o caso das REV’IT! Hyperion H2O (https://www.revitsport.com/en/motorcycles-gloves-hyperion-h2o-black) que possuem uma membrana hydratex laminada, localizada entre o forro interior e a camada de pele exterior.

Hoje em dia existem muitos tecidos no mercado, desde as microfibras à Cordura, e é possível combinar diferentes materiais numa só luva, procurando garantir proteção nas zonas mais expostas ao impacto e à abrasão, com o conforto e a elasticidade nas áreas menos críticas em caso de queda, intercalando com membranas impermeáveis e respiráveis, como a reconhecida Gore-Tex ou a hydratex da REV’IT!, e completando com proteções nos nós dos dedos e palmas das mãos. Como é lógico, para que uma luva seja eficiente na proteção contra o frio, a sua construção terá que contemplar diversas camadas e é natural que seja volumosa, implicando a perda de alguma sensibilidade.

A questão das proteções é levada muito a sério na REV’IT! que faz uso da pele na maioria dos seus modelos, mesmo nos mais simples, proporcionando uma segurança extra nas zonas mais sujeitas à abrasão, sendo alvo de reforços através da simples adição de uma camada mais espessa de pele, podendo ser mais resistente como a proveniente da cabra ou da raia, ou incluindo proteções que podem ser de espuma de elevada densidade (Temperfoam) ou rígidas (TPU), reforçando neste caso a capacidade de deslize pelo asfalto sem provocar danos no tecido das luvas e, consequentemente, nas próprias mãos.

Os ossos e as articulações que constituem a mão e o pulso são sensíveis e alguns exigem uma complexa e demorada recuperação em caso de fratura. O escafoide é um pequeno osso que se encontra no pulso e é determinante para a sua mobilidade, mas infelizmente está sujeito a lesões com alguma frequência, de modo que a compra das vossas próximas luvas deverá ter em atenção a necessidade de proteção desta zona. Os reforços existentes nas palmas das mãos evitam não só a destruição da estrutura da luva devido à abrasão, como também absorvem o impacto da colisão, permitindo reduzir a probabilidade de fraturas ou outro tipo de lesões.

UTILIZAÇÃO DE DISPOSITIVOS MÓVEIS

A sociedade em que vivemos atingiu um elevado nível de dependência dos ‘gadgets’ eletrónicos, como os telemóveis ou os GPS, e os motociclistas não naturalmente são exceção, utilizando cada vez mais dispositivos móveis nas suas viagens ou até no dia a dia. A REV’IT! foi uma das primeiras marcas de equipamento de proteção a perceber esta tendência e a dotar os seus modelos de luvas de um tecido especial na ponta dos dedos que permite a passagem de corrente elétrica do corpo para os ecrãs táteis, permitindo a sua utilização sem que seja necessário retirar a luva. Muito útil e um aspeto a considerarem na hora de escolherem o vosso próximo par de luvas.

Por fim, há luvas que pretendem reunir o melhor de dois mundos, as híbridas, que reúnem as vantagens dos materiais sintéticos com as da pele natural, utilizando esta última nas zonas sujeitas a maior abrasão em caso de queda, e os outros tecidos nas áreas onde se exige conforto e elasticidade, podendo igualmente incluir membranas impermeáveis e respiráveis, zonas elásticas para facilidade de ajustamento e até material em rede para uma boa ventilação. São, provavelmente as luvas mais completas e não é por isso de estranhar que grande parte dos modelos destinados à aventura sejam construídas com recurso a esta combinação de materiais, para proporcionar conforto e proteção nas tiradas mais longas em estrada, mas também uma boa sensibilidade e ‘frescura’ se atacarmos um trilho de terra num local quente.

PRINCIPAIS TIPOS DE LUVAS

Podemos considerar cinco principais tipos de luvas, por norma coincidentes com os principais estilos de utilização e, naturalmente, com as grandes famílias de motos existentes no mercado: estrada, aventura, turismo, desportivas e todo-o-terreno

Para a estrada, onde podemos incluir condutores de motos naked, scooters, utilitárias e custom/chopper, habitualmente escolhemos luvas com um cano mais curto (mais fáceis de calçar/descalçar, tornando-se muito práticas no dia a dia) e uma construção menos complexa, pois aqui o que pretendemos é um nível de proteção médio ou elevado, mas sem grandes preocupações no que diz respeito ao combate ao frio ou à chuva.

Por norma, são luvas que utilizamos em trajetos mais curtos, muitas vezes citadinos, e que devem revelar-se fáceis de utilizar, pouco volumosas, e capazes de garantirem boa sensibilidade, pois na cidade é necessário recorrer com frequência aos comandos da moto. Há luvas para esta utilização em pele natural e também com construção híbrida, numa oferta muito vasta que merece a vossa atenção antes de optarem por qualquer modelo. Na vasta coleção de REV’IT! sugerimos as Tracker (https://www.revitsport.com/en/motorcycles-gloves-tracker-black) com o seu desenho clássico, elevada proteção e ventilação parcial.

AVENTURA/TURISMO

O segmento da aventura é o que mais tem crescido nos últimos anos, com um número crescente de motos de estilo trail a inundarem o mercado e a liderarem as tabelas de vendas. É verdade que muitos dos seus utilizadores acabam por fazer da sua máquina uma autêntica moto de estrada para o dia a dia, mas também há alguns que aproveitam a sua polivalência e partem para a aventura, necessitando de um par de luvas que corresponda à diversidade de situações que uma viagem deste tipo pode apresentar.

Nas ligações em asfalto é necessário contar com uma boa proteção contra a abrasão e impacto, assim como algumas qualidades térmicas e de impermeabilidade, pois imaginem que ao saírem de casa, por exemplo do Porto, vão encontrar frio e chuva até chegarem ao Algarve e nesses 500km em autoestrada as vossas luvas deverão garantir que as mãos permanecem quentes e secas.

Depois de percorrerem mais umas centenas de quilómetros em asfalto, chegam finalmente ao barco, em Algeciras, e na entrada em Marrocos o tempo começa a ficar mais quente, exigindo ventilação e respirabilidade. A caminho do Sul, na chegada ao Atlas, enveredam por pistas de terra e pedra, conduzindo algumas vezes em pé, e aqui vão querer ter o máximo de sensibilidade para controlo da vossa moto, mantendo as mãos frescas e secas.

Estas luvas destinadas à aventura também podem ser utilizadas pelos amantes do turismo, das longas tiradas em asfalto, que dão grande primazia ao conforto e à capacidade de enfrentarem a inclemência dos elementos. Por regra, estes motociclistas não encontram limitações no volume e menor sensibilidade das luvas: têm que proteger, ser quentes, impermeáveis e confortáveis. Na REV’IT!, as propostas de luvas destinadas ao segmento de aventura são numerosas, mas destacamos a populares Sand 4 H2O (https://www.revitsport.com/en/motorcycles-gloves-sand-4-h2o-black-red), modelo que também é proposto numa versão destinada ao tempo quente, com superior ventilação, sem impermeabilização e com um formato mais curto (https://www.revitsport.com/en/motorcycles-gloves-sand-4-black). São também muitas as propostas de luvas de turismo, mas a nossa sugestão vai para as REV’IT! Stratos 2 GTX (https://www.revitsport.com/en/motorcycles-gloves-stratos-2-gtx-black).

DESPORTIVAS

Se a vossa moto é uma desportiva de última geração, com 200cv de potência e travões super potentes, o mais certo é que gostem de fazer uma estrada de montanha com bom piso ou até visitar ocasionalmente um circuito de velocidade, único local onde é possível tentar tirado o máximo partido de uma máquina com estas caraterísticas. Nestas condições interessa garantir o máximo de proteção contra a abrasão e o impacto, e manter a sensibilidade num nível semelhante ao das vossas mãos nuas, ou seja, com o mínimo de camadas entre os punhos, as manetes, e os vossos dedos.

Neste mundo das altas prestações e da máxima segurança não há lugar para equívocos: as luvas são de pele natural e dotadas do máximo de zonas com reforços e proteções rígidas. Depois de as comprarem, tentem ‘partir’ as luvas antes da primeira utilização, calçando-as durante algum tempo e mexendo as mãos e os dedos o mais possível. As REV’IT! Jerez 3 (https://www.revitsport.com/en/motorcycles-gloves-jerez-3–black-white) fazem tudo isto na perfeição.

TODO-O-TERRENO

A última categoria está destinada às luvas mais simples, as de todo-o-terreno. Quem pratica enduro ou motocross, ou simplesmente faz uns passeios no monte ao fim de semana, pretende acima de tudo o máximo de sensibilidade, pois a condução de uma moto com estas caraterísticas é muito exigente do ponto de vista físico e as mãos são chamadas a exercer muita força sobre os punhos. A proteção é mínima, seja no campo da abrasão ou dos impactos e por noma contamos com tecidos finos que garantem ventilação e respirabilidade, com um desenho minimalista que não cobre o pulso. Na REV’IT!, a alternativa para os amantes dos trilhos são as Massif (https://www.revitsport.com/en/motorcycles-gloves-massif-burgundy-red) que não renegam as preocupações do fabricante nas matérias relacionadas com a segurança (possuem homologação CE), oferecendo proteção nos nós dos dedos graças ao escudo TPR que cobre a seção superior das luvas.

De qualquer modo e apesar de possuírem alguma proteção, estas luvas não devem ser utilizadas em qualquer outra situação, pois não garantem o nível de segurança exigido quando circulamos em estrada ou na cidade.

A IMPORTÂNCIA DO TAMANHO

Se umas calças ou um blusão largo (ou apertado) podem tornar-se muito desconfortáveis, no que se refere às luvas a escolha do tamanho adequado assume contornos ainda mais decisivos pois para além das questões relacionadas com o conforto, também a proteção e o controlo da moto podem estar em causa.

No caso da segurança é fácil perceber que as proteções colocadas nos nós dos dedos, e nas palmas das mãos, servem para dar resistência extra a locais específicos e se os mesmos ficam fora destas zonas reforçadas, então o seu papel não poderá ser cumprido na íntegra. Luvas apertadas podem ocasionar enorme desconforto devido à dificuldade em mexer os dedos e apertar as manetes, deixando ainda margem para destapar partes do pulso se forem muito curtas.

Pelo contrário, as luvas largas podem até descalçar-se sozinhas em caso de queda, abanam com a deslocação do ar e não transmitem sensibilidade pois escorregam debaixo dos dedos.

É muito importante escolher o tamanho adequado de luvas, considerando que as luvas de pele poderão esticar cerca de 10% do seu tamanho com o uso, mas as sintéticas vão manter para sempre o seu tamanho original. Podem medir a palma da vossa mão (na zona mais larga) e com essa referência ou a da medida da circunferência da mão sem o dedo indicador incluído, optar por um tamanho específico, visível na etiqueta das luvas e onde deverá constar também o nível de certificação de que dispõem (desde CE AAA, o topo, até CE C, o mínimo).

Se comprarem através de lojas online, muita atenção a estes aspetos e em especial no que se refere ao tamanho, pois há duas filosofias principais: as marcas que operam no mercado norte-americano produzem modelos com uma palma da mão com maior área, dedos mais largos e curtos, enquanto o ‘modelo europeu’ aponta para luvas mais estreitas e compridas. Esta pequena diferença poderá ser decisiva na altura de calçarem as luvas, de modo que deverão certificar-se antes de fazerem a compra de qual a proveniência das luvas, se as mesmas cumprem alguma exigência em termos de homologação e quais as medidas exatas que apresentam. O ideal será fazerem uma visita ao vosso concessionário e aí poderem experimentar diversos modelos e tamanhos.

Estas considerações são igualmente válidas para as senhoras, que possuem um formato específico das suas mãos e exigem modelos perfeitamente adaptados à sua fisionomia. Devem optar por marcas e modelos que têm essa preocupação.

Escolham bem, procurem identificar qual a vossa necessidade e optem por uma boa relação preço/qualidade. As luvas são, regra geral, o componente mais baratos do equipamento para motociclismo e a sua importância é vital para o conforto e proteção, existindo países, como a França, que tornaram obrigatória a sua utilização. Nunca andem de moto sem luvas!

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