Como escolher um blusão de moto

COMO ESCOLHER UM BLUSÃO DE MOTO?

Longe vão os tempos em que os blusões destinados aos motociclistas se limitavam a um estilo bem definido, e a apenas um material, a pele de origem animal. Nos últimos anos, com o avanço da tecnologia dos materiais sintéticos, uma cada vez mais vasta oferta de modelos de motos e variados estilos de utilização, surgiram incontáveis tipos de blusões para motociclistas, refletindo a evolução de uma atividade que atualmente nos permite adotar um determinado estilo de vida sem fazer concessões em termos de conforto, segurança e estilo.

A MOTO MANDA, MAS…

Para simplificar as coisas e tornar o processo de escolha do blusão em algo mais imediato, podemos começar por identificar qual o estilo que melhor se enquadra com a nossa moto e com o tipo de utilização que pretendemos realizar.

Se uma desportiva não combina muito bem com um blusão de aventura com muitos bolsos e fechos por todo o lado, também numa scooter não será a melhor das opções um blusão de pele justo, com protuberantes proteções nos cotovelos e ombros, e cores garridas saídas de um paddock de grande prémio.

É claro que existem opções de compromisso, que não são especialistas em qualquer área, mas servem para tudo, um pouco como tem vindo a suceder com as motos e com outros elementos do equipamento de proteção, como os capacetes.

É por isso importante identificar de forma clara o que pretendemos fazer com a moto e em que condições vamos fazer a sua utilização, ou se damos prioridade ao conforto, à proteção térmica, à impermeabilidade, à proteção contra impactos e resistência à abrasão, ou simplesmente ao estilo. Também podemos querer tudo isto num único blusão e acreditem que há marcas que se esforçam por procurar este objetivo.

AINDA A RESISTÊNCIA

A evolução da tecnologia dos materiais sintéticos tem permitido desenvolver alternativas para as clássicas peles de origem animal, ainda hoje utilizadas em exclusivo nos fatos destinados à competição de velocidade. O couro natural pode ter origem em vacas (o mais comum), búfalos, ou cangurus, sendo este último o mais resistente e o material de eleição para a produção dos modelos topo de gama ou dos fatos feitos por medida para os pilotos oficiais.

Em termos de resistência, o couro de vaca suporta, em média, 1000 ciclos de abrasão, enquanto o couro proveniente dos simpáticos marsupiais vindos dos antípodas pode resistir a 1700 ciclos. Entre os tecidos de origem sintética, temos um claro domínio da Cordura, um material desenvolvido pela DuPont com base no nylon e que apresenta diversos níveis de resistência, sendo a Cordura 400D uma das mais utilizadas, mas existindo versões mais resistentes como a 700D, a 1000D e até a 1100D que resiste até 1780 ciclos e é assim mais ‘forte’ do que qualquer pele de origem natural. No topo dos materiais sintéticos temos o SuperFabric que foi inventado nos anos ’90 por um cientista sul-coreano e que tem vasta aplicação no campo industrial e militar, resistindo a 3750 ciclos na sua versão mais robusta.

Estas são as bases para grande parte da vasta oferta existente no mercado, que pode ainda compreender diversas combinações de materiais num mesmo blusão, pois este compreende zonas mais sujeitas a impactos e abrasão (ombros e cotovelos), outras que exigem elasticidade e outras ainda que devem contemplar um tecido muito suave, como as golas ou os punhos, precisamente porque estão em contacto permanente com o corpo e não devem provocar irritação na pele.

A resistência à abrasão depende do tipo de material utilizado, das suas combinações e, no caso da pele natural, da espessura, mas também há que ter em atenção as costuras, pois também aqui muitos fatores podem influenciar uma maior ou menor proteção.

Prefiram blusões que apresentem costuras duplas ou triplas, realizadas com fio resistente e com ponto escondido, para evitar que as mesmas se desfaçam ao mínimo toque no asfalto e que os diversos painéis que compõem o blusão se separem, de nada servindo ter o melhor material se este não continuar agregado…

AS INDISPENSÁVEIS PROTEÇÕES

Para sublinhar a importância das proteções no equipamento de proteção para motociclistas, tal como sucede com os capacetes, as botas ou as luvas, a União Europeia criou legislação que define os parâmetros de homologação (ver secção específica, abaixo) para estes componentes que, por norma, são colocados nos locais sujeitos a maiores impactos e forças de abrasão, os ombros e cotovelos. Como complemento, podem também ser adicionadas proteções no tórax e nas costas, existindo ainda alguns coletes que incluem todas as zonas e que normalmente são utilizados no todo-o-terreno, vestidos por baixo das blusas de manga comprida e de alguns blusões mais ligeiros que os pilotos de enduro preferem.

Também aqui a evolução tem sido notória e hoje em dia é possível ter proteções capazes de cumprir as normas de homologação, mas com uma assinatura visual discreta e sem comprometer o conforto, como é o caso das Seesoft e Seesmart da REV’IT!, patenteadas pala marca de equipamentos e presentes em todos os seus produtos, até nos mais casuais e destinados a uma utilização maioritariamente citadina.

Deem sempre preferência a blusões equipados com proteções e que incluam cavidades para inserir outras destinadas às costas ou peito, para que as mesmas não se soltem em andamento e possam provocar desconforto ou inibir o seu efeito protetivo em caso de queda.

A IMPORTÂNCIA DA HOMOLOGAÇÃO

Desde abril de 2018, todos os equipamentos para motociclistas passaram a estar abrangidos pela regulamentação PPE (‘Personal Protective Equipment’ – Equipamento Pessoal de Proteção), através da norma europeia CE-standard EN 17092 que abrange os casacos/blusões, calças, luvas, botas e proteções de impacto, ficando os capacetes abrangidos por regulamentação específica, neste caso a recente ECE 22.06, abordada noutro texto neste mesmo local.

Até então, a regulamentação existente estava de certa forma dispersa, não era tão abrangente (as primeiras normas foram publicadas em 1989, através da diretiva 89/686/EEC que entrou totalmente em vigor em 1994) e deixava espaço para os que os fabricantes tivessem uma interpretação um pouco ‘pessoal’ da mesma, mas agora, com este standard europeu harmonizado, os consumidores sabem sempre com que tipo de proteção podem contar ao comprarem a sua nova peça de equipamento, bastando procurarem na etiqueta do produto os símbolos e informação a esse respeito.

Foram criadas três classes de certificação, com as seguintes exigências:

  • Classe AAA/AA/A (EN 17092-2/3/4:2020) – produtos que protegem contra impactos e abrasão
  • Classe B – produtos que apenas protegem contra a abrasão.
  • Classe C Over (CO) e C Under (CU) – produtos que apenas possuem um ou mais protetores de impacto e que apenas oferecem proteção nas zonas cobertas pelos protetores incluídos.

Outra das diferenças da norma atual é que os fabricantes podem testar os seus equipamentos e até produzi-los com uma qualidade que supere as exigências legais, mas para procederem à certificação têm que recorrer a entidades externas, reconhecidas pelas autoridades, que procedem aos testes e confirmam se os mesmos são superados ou não, emitindo depois os respetivos certificados e os selos/etiquetas que podem ser colocados no equipamento.

Desta forma não há lugar para ‘interpretações subjetivas’ e todos os consumidores sabem com o que podem contar. Se pretenderem aprofundar a informação existente sobre este tema, podem aceder ao sítio da REV’IT! através da ligação https://www.revitsport.com/en/revit-ce-certification onde existe uma secção destinada exclusivamente à explicação da certificação CE.

A CERTIFICAÇÃO É OBRIGATÓRIA?

Se a produção atual de equipamento de proteção para motociclistas tem que obedecer à norma EN 17092, já a sua utilização por parte de todos nós não é obrigatória, embora isso possa depender do país onde circulam. Na maioria dos estados-membros apenas é obrigatório o uso do capacete, mas em França já o é no caso das luvas, sendo de prever que no futuro e como forma de os governos diminuírem os efeitos graves da sinistralidade em veículos de duas rodas com motor, outras peças do equipamento passem a ser obrigatórias.

A utilização de equipamento certificado depende da nossa perceção do perigo que é andar de moto sem proteção, até porque muitos possuem equipamento antigo que ainda não corresponde às exigências atuais, existindo ainda material novo em loja que também não cumpre a EN 17092. Até pode proteger, mas como não foi certificado, não há hipótese de saber o seu grau de resistência ao impacto e à abrasão, a não ser numa queda…

ESPECÍFICO OU MULTIFACETADO?

Há quem diga que não há nenhuma moto capaz de fazer tudo bem, embora alguns amantes das maxitrail defendam que nada está mais próximo desse objetivo.

No caso dos blusões e, por coincidência ou não, nos destinados precisamente ao segmento das trail, também as marcas procuram oferecer produtos que sejam polivalentes e multifacetados, capazes de enfrentarem todo o tipo de climas e de corresponderem a um vasto leque de exigências.

Para isso é necessário que a sua construção seja complexa, com diversas camadas e forros (térmicos ou impermeáveis), tornando-os mais pesados, menos flexíveis e, claro, mais caros. Não há dúvida que estes autênticos blusões ‘globetrotter’ são capazes de enfrentar a chuva e o frio, têm muita capacidade de arrumação devido aos seus múltiplos bolsos, são resistentes devido aos materiais robustos com que são fabricados e também não comprometem com o tempo quente, graças aos diversos canais e entradas para ventilação e à já referida possibilidade de retirar os forros interiores. Neste caso, o único problema é que sem as camadas internas o blusão irá ficar mais largo e é natural que oscile no corpo à medida que a velocidade aumenta.

Os grandes viajantes não se separam dos seus blusões ‘tudo em um’, mas não é preciso adotar algo tão exclusivo para o dia a dia ou até para as viagens de fim de semana, embora muitos gostem de exibir a sua veia aventureira no blusão…, e na moto, mesmo que a única terra que os seus pneus toquem seja a da berma da estrada…

A oferta é tão vasta que podem optar por algo mais simples, mas igualmente capaz de oferecer proteção, conforto térmico e impermeabilidade, sem se revelar demasiado volumoso ou pesado e até permitir andar a pé pelas ruas da cidade sem se notar que estão equipados com uma ‘armadura’.

No que se refere à proteção contra a chuva, existe um material de referência que assegura impermeabilização e respirabilidade, a famosa membrana Gore-Tex, mas esta eficácia tem um custo associado, de modo que se a vossa opção for por um modelo mais económico equipado com tecido impermeável, mas sem as características do Gore-Tex, podem sempre combater os dias de maior pluviosidade com os finos e práticos casacos de chuva, fáceis de vestir por cima do blusão do dia a dia e acessíveis do que diz respeito à aquisição.

A PÉ, NA CIDADE

Uma das maiores limitações apontadas aos clássicos blusões para andar de moto era a sua imagem um pouco desajeitada quando utilizados fora da moto, provocando por vezes sorrisos de ironia entre os transeuntes que olhavam para os ‘cavaleiros da época moderna’ como se de extraterrestres se tratassem.

Felizmente, temos agora à nossa disposição uma grande variedade de modelos que foram pensados para a sua utilização fora da moto, a caminho da escola, do trabalho, ou apenas numa paragem para ir ao restaurante ou ao café.

O desenho tem em consideração um estilo mais casual e até alguma influência da moda, procurando reproduzir cortes, texturas e cores de um qualquer blusão das grandes marcas de vestuário, mas sem comprometer os princípios que devem nortear qualquer produto destinado aos motociclistas, ou seja, o conforto e a proteção.

Uma das marcas que mais tem trabalhado com esta preocupação em mente é a REV’IT!, criadora de uma vasta coleção de blusões para homem e mulher que cumpre os mais exigentes requisitos de homologação e, no entanto, são capazes de se misturar totalmente dentro da selva urbana, com o seu corte moderno, cores sóbrias e ausência de símbolos, e dotados de características marcadamente citadinas como são o capuz ou os bolsos diagonais para manter as mãos quentes nos frios dias de inverno.

A escolha é variada, de modo que se não está perfeitamente consciente do que pretende, o melhor é consultar o seu conselheiro de sempre, o revendedor autorizado, onde poderá experimentar diversos tamanhos e modelos, e receber informação detalhada sobre as suas características.

EM RESUMO
  • Procure adaptar o seu blusão ao estilo de moto e utilização.
  • Prefira modelos com certificação e, se possível, com a classe AAA.
  • Informe-se junto do seu revendedor autorizado.
  • Experimente diversos modelos e tamanhos, para garantir o máximo de conforto.
  • Para além da resistência aos impactos e abrasão, os blusões também devem incluir zonas refletoras.
  • Existem modelos versáteis, dotados de camadas interiores removíveis.
  • A presença de uma membrana Gore-Tex garante impermeabilização e respirabilidade, mas há alternativas mais económicas, no entanto menos eficazes.
  • Segurança e conforto também podem ser sinónimo de estilo e discrição.

 

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