Como escolher um capacete

UM MAR DE OPÇÕES
A utilização do capacete é obrigatória para todos os motociclistas, independentemente do tipo de moto que utilizem, quer seja uma pequena scooter de 50cc, ou uma potente máquina de turismo com motor de seis cilindros.
Esta obrigatoriedade é comum aos países membros da União Europeia e surgiu depois de muitos estudos em que ficou comprovado que a grande maioria das fatalidades ou danos físicos graves resultantes de acidentes com motociclos e ciclomotores se deviam a lesões na cabeça.
Para além de tornarem compulsivo o uso do capacete, as autoridades europeias também criaram legislação e normas que regem a produção e homologação destes importantes elementos de proteção, obrigando os fabricantes a respeitarem padrões mínimos de qualidade e segurança, sem os quais os seus produtos não podem ser comercializados no espaço da União Europeia.
Mas apesar de todas estas restrições, compreensíveis e adotadas com o objetivo de reduzir os efeitos da sinistralidade rodoviária, a oferta de capacetes para motociclismo não podia ser mais vasta. Há todo um mar de opções à vossa disposição e este pequeno guia pretende servir como ajuda para a tomada de decisões.

ESTABELECER PRIORIDADES


O primeiro passo a tomar quando pretenderem comprar um capacete é identificar uma série de variáveis que vão pesar de forma decisiva na escolha final.
O primeiro é, naturalmente, o tipo de moto que possuem ou que vão adquirir, mas sem esquecer uma regra básica: apesar da obrigatória homologação europeia para qualquer tipo de capacete comercializado entre nós, comprovada através do selo ou etiqueta colocado nas correias de retenção, o nível de proteção oferecido é sempre superior num capacete integral, pois é o único formato que garante a cobertura total da cabeça e rosto. Esta é uma verdade absoluta, incontornável e que talvez explique a crescente popularidade dos capacetes modulares, que permitem uma enorme versatilidade, pois podem ser abertos quando circulamos a baixa velocidade ou estamos parados e assim beneficiamos com a circulação de ar fresco na face, ou fechados durante as tiradas mais longas e rápidas em estrada e autoestrada.
Mas, voltando à escolha do capacete em função do tipo de moto, verificamos que os fabricantes têm olhado com muita atenção para a evolução da indústria das duas rodas, lançando modelos que procuram corresponder a públicos muito distintos, longe, portanto, da oferta algo limitada que existia por exemplo nos anos ’80 ou ’90, onde praticamente existiam três tipos de capacetes: integrais, abertos do tipo jet, ou abertos para motocross, que se distinguiam dos jet por possuírem uma pala mais comprida.
Depois surgiram modelos híbridos, misturando conceitos, como os integrais destinados ao motocross ou enduro e que deram origem aos cada vez mais populares capacetes de aventura, que misturam este estilo com uma vertente mais estradista ao serem equipados com viseira. Também existem atualmente jets para todos os gostos, desde os mais simples, de estilo retro, sem pala e viseira, aos mais envolventes, com superior área coberta e viseiras de grandes dimensões, ou até com proteções removíveis para o queixo.
Nos clássicos integrais temos modelos mais vocacionados para o dia a dia, outros direcionados para as viagens ou turismo e ainda os desportivos, fabricados com materiais compostos muito leves e equipados com generosos apêndices aerodinâmicos que garantem estabilidade e uma perfeita penetração do ar, essenciais para uso em pista.
Finalmente, a categoria que mais tem crescido, a dos modulares, pretende oferecer o melhor dos mundos, ou seja, a ‘frescura’ e amplo campo de visão proporcionados por um jet, com a proteção e conforto de um modelo integral. As marcas têm apostado muito neste segmento e a evolução é notória, com a adoção de elevados padrões de segurança e eficácia, como a dupla homologação P/J (aberto e fechado), os sistemas duplos de abertura da queixeira, o movimento elítico da mesma para assegurar uma silhueta minimalista quando a queixeira está aberta (melhor penetração aerodinâmica), reduzindo o chamado efeito de ‘vela’ e o ruído, ou a integração de sistemas de intercomunicação.
A estes aspetos podemos acrescentar diversas melhorias e inovações que são comuns a outros formatos de capacetes, como a utilização de novos materiais nos forros interiores (mais conforto e respirabilidade), a montagem de viseiras de sol, o aperfeiçoamento dos sistemas de ventilação, a possibilidade de ajustar a posição ou a espessura dos forros interiores, ou a inclusão de sistemas de segurança como são o A.R.O.S. (reduz a probabilidade do capacete embater no pescoço ou tórax em caso de queda) o N.E.R.S. (remoção fácil dos forros em caso de emergência) ou o E.S.S. (Sinalização de Paragem de Emergência).

A NOSSA MOTO


Já referimos anteriormente que a escolha do capacete está muito dependente do tipo de moto que possuímos ou que vamos adquirir.
Há estilos que não se compadecem com compromissos: por exemplo, numa moto de enduro ou motocross não vamos andar com um integral ou com um modular, assim como numa desportiva não há espaço para um jet, ou para um capacete de cross.
Mas estes são os extremos e pelo meio temos as utilitárias, scooters, maxi trail, turísticas e custom, todas capazes de alguma polivalência e, por isso, sujeitas a uma escolha mais livre do capacete. Há quem use o seu integral para tudo, mas também há cada vez mais seguidores do conceito modular, o tal que serve para todas as ocasiões e fica bem com quase todas as motos. Para muitos é o capacete ideal e isso explica o enorme sucesso que têm tido nos últimos anos.
O tipo de moto que conduzimos é importante não só pela componente estética, mas também pelo impacto que tem em aspetos como a ergonomia, posição de condução e proteção aerodinâmica, fatores que contribuem para uma necessária escolha informada do capacete.
Por exemplo, a proteção aerodinâmica é relevante para o nível de cobertura facial que pretendemos obter do capacete. Este imprescindível elemento de proteção individual não serve apenas para evitar que o contacto com o solo ou qualquer superfície em caso de queda provoque lesões na cabeça, impedindo também que pedras, insetos, poeiras ou até a chuva embatam nos olhos e face, provocando desconforto, limitações de visão ou até ferimentos.
É fácil perceber que numa moto naked, desprovida de carenagem, a utilização de um capacete jet acarreta muitas limitações, mas já numa scooter, numa turística ou numa maxi trail com boa proteção aerodinâmica, grande parte do fluxo de ar e das partículas em suspensão serão desviados pela carenagem e respetivo ecrã transparente.
O ruído é outro fator a considerar na utilização de uma moto e a deslocação do ar, ou o seu efeito nas diversas superfícies e protuberâncias de um capacete, é algo que se pode tornar incómodo durante, por exemplo, uma viagem. Também aqui o tipo de moto é importante para a mitigação do ruído, pois sem qualquer tipo de proteção (carenagem) o capacete irá sofrer todo o impacto da deslocação. Por isso, as marcas que estudam a aerodinâmica e procuram a sua otimização, realizam testes de medição de ruído precisamente com motos naked.
Para dificultar ainda mais a escolha em função do tipo de moto, é interessante verificar que nos últimos anos temos assistido a uma disseminação dos ecrãs ajustáveis, algo a que no passado apenas as grandes motos de turismo tinham acesso, mas que hoje em dia já se pode encontrar nas maxi trail e nas scooters, até em modelos de baixa capacidade. Naturalmente, em função do posicionamento mais ou menos elitista de cada modelo, existem sistemas de acionamento elétrico ou manual, e neste último caso o ajuste pode ser feito utilizando um simples comando manual, ou recorrendo a ferramentas para subir ou descer o ecrã. Em qualquer dos casos, o princípio é o mesmo: com o ecrã alto a proteção aerodinâmica é superior, desviando o fluxo de ar da zona da cabeça, ao passo que numa posição mais baixa o utilizador terá que contar com um maior impacto do ar.

A IMPORTÂNCIA DA AERODINÂMICA


Este maior ou menor impacto do ar tem obrigado os fabricantes de capacetes a olharem com atenção para a questão da aerodinâmica e há alguns que o fazem já há algum tempo, como é o caso da Schuberth que tem décadas de experiência no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos seus modelos num túnel de vento próprio, onde consegue replicar as condições reais de utilização em estrada.
Um capacete dotado de uma forma aerodinâmica eficiente será superior em tudo, desde a menor tendência para provocar oscilações da cabeça, à redução do ruído provocado pela passagem do ar em todas as arestas e reentrâncias, ou até pela sensação de peso, pois os estudos científicos levados a cabo por alguns fabricantes revelam que um capacete dotado de uma deficiente penetração aerodinâmica provoca um peso de cerca de 10kg na zona do pescoço do condutor!
Este dado é muito importante pois de nada serve procurar um capacete que seja um autêntico peso pluma, um recordista nas comparações das características técnicas, tomando muitas opções de compra porque o modelo A é mais leve 50 grama do que o modelo B, para que depois, na estrada e em condições reais, uma forma menos eficiente da calota anule esta diferença e a multiplique diversas vezes.
O ruído é outro aspeto fundamental na escolha de um capacete e, aqui, a grande dificuldade é o equilíbrio entre um eficaz sistema de ventilação, decisivo para o nível de conforto e de segurança (mantém a cabeça fresca no Verão, evita o embaciamento da viseira no Inverno, e a acumulação de CO2 no interior) e um baixo nível de ruído.
Não é preciso ser um cientista da NASA para perceber que qualquer aresta ou reentrância de uma entrada de ar irá provocar ruído. A forma aerodinâmica ideal é a de uma gota de água e tudo o que se afastar deste conceito simples irá ter como consequência o aumento do ruído.
Novamente, o estudo aturado da forma do capacete num túnel de vento é a única maneira de conseguir obter bons resultados, pelo que a opção por marcas que levam esta estratégia muito a sério terá como consequência um uso muito mais agradável do capacete.
Também aqui podemos relativizar e tentar enquadrar diversas circunstâncias. Quando pensamos, por exemplo, numa utilização em cidade, a baixa velocidade, perante um nível de ruído exterior elevado (tráfego urbano), a forma aerodinâmica do capacete tem pouca importância, tal como na prática de todo-o-terreno, ou motocross. Em viagem o cenário é diferente e podem ter a certeza de que ao fim de umas horas em cima da moto, se o capacete gerar muito ruído o passeio torna-se incomodativo.
Outro foco de ruído, para além das entradas de ar para a ventilação, é a zona do colar, onde o capacete contorna o pescoço. Quanto mais fechada e isolada for esta zona melhor, pois irá evitar a entrada de ar e isolará o ruído exterior de forma mais eficaz. É por isso que muitos motociclistas usam um lenço em volta do pescoço.
Para ficarem com uma ideia da importância de uma boa aerodinâmica, saibam que um ruído superior a 85dB, ouvido durante um período de tempo prolongado, pode começar a causar danos no sistema auditivo. Quanto mais alto for o ruído, menos tempo poderão estar expostos aos seus efeitos.
Em baixo reproduzimos uma tabela com alguns exemplos de ruídos comuns e o nível de decibéis resultante:

Nível médio de ruído em dB

  • Arrastar de folhas, música suave, soprar do vento: 30 dB
  • Ruído doméstico comum: 40 dB
  • Conversa normal, música de fundo: 60 dB
  • Ruído de um escritório, automóvel a 96 km/h: 70 dB
  • Aspirador, rádio: 75 dB
  • Tráfego denso, restaurante barulhento, corta-relvas: 80–89 dB
  • Metropolitano, conversa aos gritos: 90–95 dB
  • Caixa de som, ATV, moto: 96–100 dB
  • Escola de dança: 101–105 dB
  • Motosserra, soprador de folhas, moto de neve: 106–115 dB
  • Multidão em recinto desportivo, concerto de rock: 120–129 dB
  • Corridas de desportos motorizados: 130 dB
  • Arma de fogo, sirene a 30 metros: 140 dB

No caso da Schuberth e tendo em consideração o seu último modelo de capacete modular, o C5, a marca reclama um excelente valor de 85 dB a 100km/h, obtido numa moto naked, o que revela a importância da abordagem científica e da utilização de ferramentas tecnológicas no desenvolvimento de novos modelos.
Mas os efeitos da forma da calota exterior e a sua penetração aerodinâmica não se resumem ao ruído, tendo também influência na redução da turbulência e das forças de arrasto ou ascensionais, de nada servindo para o nosso conforto ter um capacete silencioso que depois não evite o abanar constante da cabeça, ou a sensação de o mesmo estar constantemente a ser ’arrancado’.
Para dificultar a tarefa dos técnicos, todas estas varáveis têm que ser compatíveis com as normas de segurança exigidas pelos mecanismos de homologação, em especial com a nova ECE 22.06, que apresenta requisitos superiores e obriga a uma completa bateria de testes para que os novos modelos possam ser comercializados no espaço da UE.

SEMPRE FRESCOS


Já vimos que a introdução de qualquer mecanismo de ventilação tem os seus custos no aumento do ruído provocado pela passagem do ar em torno do capacete, mas é impossível não contar com esta função nos capacetes integrais ou modulares, e até alguns abertos possuem pelo menos uma entrada de ar no topo da cabeça, para assegurar a melhor ventilação possível.
Só quem nunca andou de moto no Verão, debaixo de um calor tórrido, é que não pode perceber a importância de uma boa ventilação. Andar com a viseira aberta não é opção na maioria dos casos, e mesmo que isso seja possível só estaremos a refrescar a face, pois a cabeça segue protegida pelo capacete.
Os sistemas de ventilação mais eficazes possuem canais internos bem desenhados que asseguram uma eficaz distribuição do fluxo de ar criado pelas diversas aberturas existentes na calota, reduzindo a temperatura corporal, evitando a acumulação de humidade (devido ao suor) e de CO2, saindo depois através de extratores geralmente colocados na zona posterior do capacete.
Existem diversos sistemas que as melhores marcas têm vindo a desenvolver ao longo dos anos, com o Airbooster da Nolan e X-Lite, associados a forros cada vez mais eficazes que utilizam tecidos que também concorrem para o transporte da humidade para o exterior do capacete, como o Coolmax, ou as fibras naturais de carbono. A construção em rede ou a utilização de tecidos perfurados é outra solução que potencia a eficácia da ventilação, contribuindo para um elevado nível de conforto, de higiene (impede que o interior fique encharcado em suor) e para que a viagem seja muito mais agradável.

VER É FUNDAMENTAL


Um dos elementos cruciais de qualquer capacete é a viseira, não só porque protege os olhos do contacto com qualquer corpo estranho (inseto, pedra, poeira, lama, água…) como também pela qualidade da visão que proporciona e aqui há dois aspetos a ter em conta, sendo o primeiro o campo de visão, e o segundo a própria qualidade ótica da viseira.
Se quanto à capacidade de proteção face aos impactos as viseiras são obrigadas a superar os testes exigidos pelas normas de homologação, já no que se refere à qualidade ótica é importante não só saber que a legislação também é cumprida, como os próprios fabricantes se preocupam em superá-la e oferecer um produto de primeira qualidade, que não provoque distorções, garantam o máximo de transparência e um campo de visão o mais amplo possível.
Em cima da moto contamos com todos os nossos sentidos para usufruirmos da enorme agilidade e capacidade dinâmica deste veículo, e em especial com a visão, para que tudo o que nos rodeia seja assimilado em tempo útil e nos permita reagir com a rapidez necessária para evitar um obstáculo ou corrigir uma trajetória no último momento.
A qualidade ótica das viseiras está definida em diversas classes, sendo que a classe ótica 1 é a que garante a melhor qualidade e uma visão 100% livre de distorções.
No inverno, com a chuva, surge outro problema, que não está ligado à qualidade da viseira, mas sim ao inevitável embaciamento provocado pela condensação. É que a viseira está colocada em frente à nossa boca e nariz, como não podia deixar de ser, e é impossível respirar para outro lado.
O uso de um lenço, de uma balaclava ou até de um defletor de ar, que alguns capacetes possuem na zona imediatamente abaixo da viseira, atenua o efeito da condensação, mas o melhor sistema é o da colocação de uma película transparente para esse efeito. A marca Pinlock é a mais reconhecida a nível internacional e é por isso que a maioria dos fabricantes incluem de série, nas viseiras, os pinos para a montagem da película, assegurando total compatibilidade e uma superior facilidade na sua instalação.
Outro aspeto que pode influenciar a segurança tem a ver com as alterações das condições de luminosidade, neste caso com o aumento da luz devido, por exemplo, ao aparecimento do sol depois de uma zona nublada. Nesta situação e especialmente para pessoas com maior fotossensibilidade, o ideal seria a colocação de óculos de sol, mas nem sempre é possível ou conveniente parar a moto, de modo que a presença de uma viseira escura interior acaba por solucionar o problema e, com um simples toque de um dedo no respetivo botão, podemos seguir viagem sem o perigo de ficarmos encadeados. Se o sol voltar a ficar encoberto, basta tocar no botão de recolha automática da viseira escura e continuar a andar.
Este equipamento é muito útil, pois permite grande versatilidade de utilização e evita que se pare para colocar/retirar os óculos de sol ou até para trocar a viseira principal do capacete, algo sem dúvida pouco prático.

SISTEMAS COMPLEMENTARES DE SEGURANÇA


Designações como A.R.O.S., NERS, ESS ou Microlock são cada vez mais comuns ao ouvirmos falar de capacetes de qualidade e representam o esforço das marcas em reforçarem a segurança garantida pelos seus modelos, com sistemas que sublinham a visibilidade, facilitam a remoção ou impedem o contacto do capacete com o tórax do motociclista.
Comecemos pelo sistema A.R.O.S. (Anti-Roll-Off System – Sistema anti-rotação), especialmente desenvolvido pela Schuberth e fornecido como elemento adicional de segurança em todos os seus modelos. Este sistema garante que, desde que as correias de retenção estejam bem instaladas e apertadas, o capacete não irá rodar na cabeça, mitigando o risco de contacto do capacete com o queixo ou com o pescoço devido ao reduzido ângulo de rotação, enquanto as consequências de um eventual contacto do capacete com o peito são minimizadas devido ao seu formato otimizado.
O NERS (Nolan Emergency Release System – Sistema Nolan de Remoção de Emergência) nasceu na competição, onde a Nolan tem presença assídua há décadas, e permite a remoção, pelas equipas de emergência, das almofadas do queixo, mantendo o capacete na cabeça. Para isso basta puxar as duas fitas vermelhas colocadas junto às próprias almofadas.
O ESS (Emergency Stop Signal – Sinal Stop de Emergência) é um sistema muito simples que a Nolan desenvolveu para aumentar a visibilidade do motociclista perante situações climatéricas adversas, com baixa visibilidade. Trata-se de uma pequena luz Led que é fixada na parte posterior do capacete, não afetando o seu conforto ou manuseamento, pois não está ligado a nenhum mecanismo da moto. Possui um acelerómetro de três eixos que mede a desaceleração e gera um sinal luminoso que avisa os condutores que seguem atrás quando é efetuada uma travagem brusca. Também emite um sinal luminoso intermitente que reforça a visibilidade.
Igualmente provenientes da Nolan e de toda a sua experiência de cinco décadas no fabrico de capacetes, o Microlock e o mais recente Microlock 2, são mecanismos de fecho das correias de retenção que impedem a sua abertura acidental e que, em simultâneo, garantem um ajuste muito preciso graças ao desenho dos pequenos ressaltos da fivela.

POSSIBILIDADES DE AJUSTE


O chamado ‘fitting’ do capacete, ou seja, a forma como se ajusta ao formato da cabeça do utilizador, depende do desenho das calotas interna e externa (existem formatos ovais, regulares e semiovais), definidos de acordo com os diferentes tipos de morfologia humana (os asiáticos possuem um formato do crânio diferente do dos caucasianos, por exemplo), mas em particular dos forros interiores e das almofadas que os constituem, que são os únicos elementos compressíveis de toda a estrutura e os que permitem a adaptação do crânio e rosto do utilizador ao capacete.
Existem capacetes em muitos tamanhos, por exemplo desde o XS (53) ao XXL (65), e para garantir que esta vasta oferta não tem consequências no ‘fitting’, os mais reputados fabricantes optam por produzir diversos tamanhos de calotas, evitando que a medida interna seja conseguida apenas à custa da redução ou aumento da espessura da calota interna (EPS) e das almofadas, com as previsíveis consequências em termos de conforto.
Deste modo, é garantida a manutenção da espessura dos componentes internos, mas mesmo assim por vezes os utilizadores são obrigados a fazer compromissos no que diz respeito ao tamanho ideal do capacete, pois possuem um formato da cabeça tão fora do comum que apenas conseguem um ajuste confortável se optarem por um tamanho acima.
Para evitar estes compromissos, a Schuberth introduziu um novo conceito de almofadas personalizáveis no seu mais recente modelo, o C5, no qual os utilizadores podem escolher a espessura das almofadas que melhor se adaptam ao seu formato extremo da cabeça. O ‘Shuberth Individual Concept’ está disponível nos tamanhos M/L e XL e basta que contactem o vosso revendedor autorizado para obterem mais informações sobre este importante detalhe que pode fazer toda a diferença no conforto.
Outra possibilidade de ajuste dos forros é o sistema LPC (Liner Positioning Control – Controlo da Posição dos Forros) da Nolan e X-Lite, onde, como o nome indica, é possível regular a posição dos forros dentro do capacete e assim encontrar uma distribuição das zonas almofadadas que melhor coincida com o formato da cabeça.

COMPATIBILIDADE COM INTERCOMUNICADORES


A incorporação do intercomunicador ou a disponibilidade de pré-instalação permite usar intercomunicadores sem afetar o conforto, pois os elementos que constituem o sistema de intercomunicação ficam perfeitamente instalados no interior do capacete e não interferem com as orelhas ou com o crânio.
As colunas dos intercomunicadores têm vindo a aumentar de tamanho, passando dos 30mm de diâmetro para os 45mm das mais recentes propostas da JBL, garantindo uma qualidade de som sem precedentes, mas é importante que estas colunas fiquem bem embutidas na calota interna, sendo por isso preferível optar por modelos de capacetes que possuem orifícios para esse fim e assim possam garantir a manutenção da distância ótima face aos canais auriculares.
Vimos anteriormente como a forma exterior do capacete tem impacto no ruído e na turbulência, não sendo então de estranhar que a montagem de um intercomunicador externo afete estas variáveis. As marcas mais reputadas, como a Cardo, trabalham afincadamente para garantir que os seus modelos possuem uma forma aerodinâmica que causa o menor impacto possível, assim como um peso reduzido, pois um peso mal distribuído é sinónimo de desconforto.
Alguns fabricantes de capacetes, como a Schuberth (SC1 e SC2), Nolan (N-COM) e X-Lite (N-COM), desenvolvem sistemas de intercomunicação integrados, prevendo locais de encaixe não só para os elementos internos, como as referidas colunas, mas igualmente para as unidades principais e respetivos comandos, garantindo uma alteração mínima do formato exterior e um impacto muito reduzido na distribuição de peso e na estética.

ABS, LEXAN OU FIBRA?


Nas tertúlias de motociclistas, um dos assuntos alvo de discussão é o material com que são produzidos os capacetes, neste caso as calotas externas, pois a interna é invariavelmente fabricada em poliestireno expandido (EPS).
Existem três tipos de materiais largamente utilizados pela indústria, os dois primeiros – ABS e Lexan – pertencentes ao grupo dos termoplásticos, e as fibras, que podem ser simples (fibra de vidro ou fibra de carbono) ou compostas, podendo apresentar uma combinação destas duas e ainda misturas com kevlar, outra fibra muito resistente. Entre as fibras de carbono, existem dois métodos de produção, o primeiro, mais simples e económico, não recorre à cura do material em forno autoclave e o segundo, destinado aos capacetes topo de gama, utiliza esta tecnologia para garantir as melhores propriedades da fibra de carbono já que ao ser curada a um temperatura controlada (entre a temperatura ambiente e os 90 graus) e em vácuo, durante algumas horas, a calota assume uma resistência máxima, pois a resina epóxi fica espalhada de forma mais uniforme pelas fibras do tecido, e são retirados todo o ar e gases voláteis que possam estar contidos na peça, impedindo assim a formação de poros.
Existe ainda um terceiro processo que utiliza pressão no interior do autoclave (pode ir até 1,5Mpa) e que promove uma distribuição de fibra mais uniforme, mas apenas para peças de elevada espessura, o que não é o caso das calotas dos capacetes.
Seja feito com ABS ou com fibra de carbono, qualquer capacete em comercialização tem que cumprir as normas de homologação em vigor e isso implica que seja resistente aos impactos, de modo que a argumentação muitas vezes utilizada de que um material é mais resistente do que outro apenas pode ser seguida se em causa estiver uma exigência que supere as normas de homologação, como por exemplo sucede com as disciplinas máximas de competição motorizada, onde devido às velocidades atingidas os próprios organismos que as regem criaram regulamentação técnica específica.
Para uso na estrada, no dia a dia, qualquer capacete homologado tem que cumprir os requisitos de proteção estabelecidos pelas autoridades, sendo então necessário saber apenas que a principal diferença entre os três materiais anteriormente referidos é o peso que apresentam e que é função, precisamente, da sua resistência, pois um material menos resistente terá que ser mais espesso, e vice-versa.
Entre o ABS e o Lexan (trata-se de uma marca registada pela GE, existindo um termoplástico semelhante da Bayer, o Makrolon) podemos dizer que o primeiro é mais barato de produzir e mais resistente aos riscos, embora seja mais pesado e ‘quebradiço’. Por isso, de uma forma genérica, é possível posicionar o ABS como o material de eleição para os capacetes de entrada de gama, onde o preço mais competitivo ‘compensa’ o peso superior, ao passo que o Lexan, devido à sua elevada resistência aos impactos, consegue apresentar caraterísticas muito semelhantes às das fibras, mas com um peso ligeiramente superior e um custo de produção bastante inferior, pois o processo de fabrico é mais simples (folhas de material moldado com recurso a temperatura ou vácuo). Os capacetes produzidos em Lexan são também uma opção mais ecológica, pois exigem menos energia em todo o processo de produção e praticamente não libertam gases, para além de que podem ser reciclados.
Quanto às fibras, devido à sua elevada resistência, podemos afirmar que permitem construir calotas com uma espessura reduzida, em especial as de fibra de carbono, e assim criam condições para que o capacete seja leve e compacto, sem esquecer a componente estética, pois não há dúvida que a beleza da fibra de carbono, com o brilho do verniz a enaltecer a textura do tecido entrelaçado, é um dos aspetos técnicos mais valorizados pelos utilizadores.

EM RESUMO

  • Estabeleçam prioridades em função do tipo de moto e de utilização.
  • Prefiram modelos com melhor aerodinâmica (menos ruído, mais conforto).
  • A ventilação é um aspeto importante e deve ser eficaz.
  • Prefiram viseiras amplas, com elevada qualidade ótica.
  • A viseira escura interior pode ser muito útil.
  • A presença do Pinlock é uma mais-valia contra o embaciamento.
  • Dar importância aos sistemas complementares de segurança (A.R.O.S., NERS ou ESS).
  • Os forros ajustáveis (LPC) ou a escolha da sua espessura (Schuberth Individual Concept) são fundamentais para o nível de conforto.
  • A compatibilidade com intercomunicadores irá facilitar a sua instalação e aumenta o conforto.
  • Todos os materiais das calotas permitem proteção, mas há diferenças no preço e no peso. Tudo depende do tipo de utilização e, claro, do montante que estão dispostos a pagar.
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