Intercomunicadores para Motociclismo

Como escolher o seu intercomunicador?

Quer utilize a sua moto de forma solitária, no dia a dia, ou acompanhado por um passageiro ou grupo de amigos, o recurso a um sistema de intercomunicação para ouvir música, efetuar chamadas telefónicas ou simplesmente falar com os companheiros durante a viagem, é cada vez mais uma realidade que muitos motociclistas não dispensam.
Para além da utilidade que um sistema deste tipo oferece, permitindo por exemplo manter todos os assuntos pessoais ou profissionais em dia enquanto conduz a sua moto, há também um vasto campo de diversão que passa pela fruição da sua música favorita ou da partilha das paisagens e momentos únicos que se vivem numa viagem de turismo.
Os motociclistas estão cada vez mais atentos aos últimos desenvolvimentos tecnológicos promovidos pelos fabricantes de intercomunicadores, o que fez aumentar a oferta e tornou a sua escolha ainda mais difícil. Com este pequeno guia vamos tentar dar um contributo para a simplificação da decisão de compra, mostrando as vantagens e desvantagens de cada tecnologia e qual a que se adequa melhor ao perfil de cada utilizador.

Olhos sempre na estrada
Quando estiver a andar de moto é importante que mantenha o seu foco na estrada, não só no que diz respeito ao campo de visão, mas também na utilização das mãos, que devem passar o mínimo tempo possível fora dos comandos do veículo. Assim, vai querer mexer o mínimo nos intercomunicadores, aproveitando todas as funções que possam permitir o comando do dispositivo através da sua voz.
O ideal é que a simples tarefa de realizar ou atender uma chamada telefónica, a escolha de uma música, ou o estabelecimento de uma conversa com o passageio ou com o grupo possam ser efetuados com recurso a uma simples instrução vocal. Esta é uma das áreas onde os fabricantes mais têm investido nos últimos anos, correspondendo até ao desenvolvimento da tecnologia associada aos assistentes de voz criados pelos gigantes da informática, como são exemplos a Google e a Apple, suportados por alguns dos modelos mais evoluídos de intercomunicadores. Basta dizer: ‘Hey Google, qual é a melhor direção para o hotel mais próximo?’ ou ‘Hey Siri, qual é a previsão do tempo para hoje em Faro?’.
Escolha um sistema que ofereça a funcionalidade de operação por comandos de voz. Atenção, que muitas vezes a ativação por voz (ativa o intercom com qualquer som) é confundida com os comandos de voz, em que podemos dar instruções ao equipamento para efetuar uma determinada tarefa. Certifique-se de que o software é suficientemente desenvolvido para perceber o que diz. Neste capítulo, a Cardo dispõe da funcionalidade ‘Comandos de voz natural’, que reconhece facilmente as instruções.

Leves, compactos e resistentes
Mas nem todos os modelos ou gamas dispõem, para já, destes importantes recursos, havendo outras características que são igualmente decisivas para a escolha de um intercomunicador. As dimensões, o peso e o próprio formato representam algo mais palpável e imediatamente reconhecido pelos nossos olhos, merecendo especial atenção na hora de tomar uma decisão pois, invariavelmente, intercomunicadores mais volumosos e pesados têm reflexos negativos no conforto.
A sua forma também é importante já que um bom estudo aerodinâmico levado a cabo pelo fabricante, reduzindo o arrasto e o ruído, irá ser fundamental para tornar uma viagem mais confortável e prazerosa. Imaginem o que seria ter que fazer três ou quatro horas em cima da moto a ouvir um zumbido constante junto à cabeça, provocado por uma deficiente penetração aerodinâmica do intercomunicador…

Quantos dispositivos quer emparelhar?
Neste capítulo, é necessário aferir quantos canais o sistema dispõe para emparelhar os seus dispositivos (telemóveis, GPS, etc.). O patamar mínimo deverá ser o de possuir dois canais, pois na grande maioria dos casos os dispositivos que interessam aos motociclistas são precisamente o telemóvel e o GPS. No entanto, os fabricantes de motos estão a disseminar o uso de ecrãs TFT nos seus modelos, permitindo a conexão com os intercomunicadores. Antes de escolher, confirme se o seu próximo dispositivo possui esta função.

Quer comunicar com outros motociclistas? DMC ou Bluetooth?
A menos que queira comunicar apenas com o passageiro, é importante que o seu intercomunicador permita a intercomunicação entre sistemas a uma distância razoável (mínimo de 400m).
Se pretende usufruir dos seus dispositivos e intercomunicar em simultâneo, então a tecnologia MESH (rede) é a melhor solução. Se esta liberdade não é importante para si, então deverá escolher um sistema Bluetooth com tantos canais de intercomunicação, quantas as pessoas a que se deseja ligar.
De uma forma genérica, com a tecnologia Bluetooth é possível falar com um grupo de, no máximo, quatro utilizadores e com um alcance que, nas melhores propostas poderá ir até aos 2.000 metros. Os modelos mais recentes da Cardo, os Freecom 2X e 4X, possuem a tecnologia ‘Live Intercom’ que permite a ligação automática ao grupo sempre que entrar e sair do raio de alcance do mesmo.
Com a rede (MESH), o número de utilizadores pode ser bastante superior, podendo acolher até 15 membros, e o raio de alcance irá subir graças ao efeito multiplicador de cada membro do grupo no sistema, atingindo um máximo de 8.000 metros.
Outra das vantagens dos sistemas MESH (o DMC da Cardo é um excelente exemplo de uma rede) é a sua imediata interligação, pois basta configurar uma vez para que esteja automaticamente conectado ao grupo sempre que entrar e sair do raio de alcance do mesmo.

Qualidade Áudio
Tal como em casa ou no automóvel, também na moto é possível contar hoje em dia com um som de alta qualidade, não só por uma questão de prazer quando estão a ouvir música, mas também porque é importante que o som das colunas seja nítido e que o volume o permita ouvir de forma clara as comunicações enquanto circula, devido ao ruído causado pelo vento.
Se é um motociclista apaixonado por música, então deverá ter umas colunas com som em alta-definição e com um diâmetro de pelo menos 40mm, sendo que poderá ainda usufruir de colunas especificamente desenvolvidas para oferecer a mais elevada qualidade de áudio dentro de um capacete, como é o caso das Colunas JBL de 45mm. Saiba mais aqui.
No entanto, as colunas não são o único elemento responsável pelo som de alta-definição. O processamento do som e os seus perfis têm um papel igualmente decisivo neste campo, pelo que a escolha por um dispositivo que inclua os mais recentes avanços nestas áreas irá fazer toda a diferença quando estiverem a atravessar os alpes ao som de Vivaldi, ou a curtirem as curvas da costa amalfitana ao som dos AC/DC!

Resistência às intempéries
Igualmente revelador do cuidado colocado pelas marcas no desenvolvimento dos seus sistemas é a resistência dos dispositivos à água, pó e lama, característica que pode fazer a diferença quando atravessam uma tempestade na autoestrada ou fazem um trilho de terra no deserto. Em qualquer dos casos, é importante que o vosso intercomunicador continue a funcionar em perfeitas condições.
A maior garantia é dada pelos equipamentos com certificado IP67 – à prova de água e pó, que resistem à submersão até 1 m de profundidade durante 30 minutos e com total proteção contra a poeira.

Quer usar o intercomunicador em mais que um capacete?
Se quiser alternar o uso do equipamento entre dois ou mais capacetes, certifique-se de que pode adquirir um kit de áudio em separado, de forma a poder usar o módulo em mais que um capacete sem ter que desmontar e voltar a montar o equipamento.
As melhores marcas também se distinguem por esta disponibilidade, permitindo, com um custo relativamente reduzido, instalar colunas, cablagens, microfone e suporte da unidade principal em mais do que um capacete. Exemplo destes práticos kits de áudio podem ser encontrados aqui.

Possibilidades de atualização?
Como sucede com qualquer dispositivo eletrónico e para que o mesmo se mantenha em boas condições de funcionamento e de acordo com as mais recentes evoluções, também os intercomunicadores necessitam de realizar atualizações do seu software.
As melhores marcas desenvolveram aplicações que asseguram uma ligação simples e rápida do dispositivo ao telemóvel, por exemplo, através da qual é possível saber se existem novas atualizações disponíveis. As mesmas podem ser carregadas no intercomunicador utilizando um cabo e um computador, mas alguns dos modelos mais recentes já possuem atualizações ‘over the air’, ou seja, sem necessidade de ligação através de cabos. Os novos Cardo Spirit, Spirit HD, Freecom 2X e Freecom 4X já possuem esta funcionalidade.

Versões DUO
Tal como sucede com a disponibilidade dos kits áudio que podem ser instalados num segundo ou terceiro capacete para utilizar com o mesmo intercomunicador, também no caso de a utilização da moto ser feita de forma recorrente com passageiro, as marcas de topo possuem alternativas pensadas para facilitar a vida dos motociclistas.
Os conjuntos DUO da Cardo, propostos em toda a sua gama, desde o mais simples Spirit ao exclusivo Packtalk Bold, possuem todos os componentes necessários para a instalação em dois capacetes, mas são comercializados com um preço mais reduzido face à compra independente de dois intercomunicadores do mesmo modelo. Não só poupa dinheiro com estes pacotes DUO, como tem a garantia de uma perfeita interoperabilidade e funcionamento sem falhas entre o seu dispositivo e o do passageiro.

Compatibilidade com os capacetes
Nem todos os modelos de capacetes à venda no mercado podem servir de base para a montagem de um sistema de intercomunicação. O ideal é que o capacete tenha um pré-equipamento instalado de fábrica (cabos, suportes, contatos e ranhuras) e assim possa acolher com a máxima facilidade, e ergonomia perfeita, a unidade principal, o micro e as colunas.
Esta é a situação mais desejável, em que o sistema irá ficar encaixado com o mínimo impacto interior e exterior, por vezes quase nem se notando a sua presença. Os capacetes Schuberth são um paradigma neste campo, especialmente o novo modelo modular topo de gama, o C5 (saiba mais aqui), mas outros fabricantes, como a Nolan, também possuem modelos desenvolvidos a pensar na instalação de um intercom (saiba mais aqui).
Caso o vosso capacete não tenha sido desenhado com esta funcionalidade, devem evitar adaptações muito ‘engenhosas’, como por exemplo escavar o EPS para poder acolher as colunas. O capacete deve incluir os orifícios para as colunas e estar preparado para a passagem dos cabos.
O EPS é um elemento fundamental para a segurança de um capacete, e a redução da sua espessura implica menos proteção em caso de acidente. Por outro lado, caso as colunas não fiquem bem embutidas e afastadas do crânio, podem provocar cortes e lesões em caso de acidente.
Não facilitem nesta área e, se possível, recorram sempre a um técnico especializado ou a um revendedor autorizado para vos aconselhar.

Assistência técnica
Tal como sucede com outros dispositivos eletrónicos, também os intercomunicadores podem ter falhas e avarias, motivadas por raros defeitos de fabrico ou por uso indevido.
É por isso muito importante que façam a vossa aquisição através de um revendedor autorizado da marca (veja aqui os pontos de venda em Portugal), para que tenham o melhor aconselhamento possível, mas também acesso à assistência técnica oficial da marca, com disponibilidade de peças e acessórios originais, e o apoio de técnicos com formação e experiência nesta área.

A reter (caraterísticas de um bom intercomunicador):

  • Comandos por voz
  • À prova de água, lama e pó
  • Leves, compactos e com boa aerodinâmica
  • Mínimo de dois canais
  • Bluetooth Live Intercom
  • Comunicação em rede (DMC)
  • Áudio com alta-definição (HD)
  • Disponibilidade de kits compatíveis e acessórios
  • Atualizações de software ‘over the air’
  • Assistência técnica e peças originais
Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Arquivo de artigos